http://dharmalog.com/2013/08/19/mundos-internos-mundos-externos-documentario-faz-viagem-pelo-universo-com-boson-tesla-vedas-buda-filme/

“A real crise em nosso mundo não é a crise social, política ou econômica. É uma crise de consciência, uma incapacidade de experimentarmos diretamente nossa verdadeira natureza. Uma incapacidade de reconhecer essa natureza em todos e em todas as coisas.” ~ trecho de Inner Worlds Outer Worlds (2012)

Um documentário recém-lançado e intitulado “Mundos Internos, Mundos Externos” (Inner Worlds Outer Worlds), do canadense Daniel Schmidt, explora de maneira rica e visualmente atraente a conhecida sabedoria antiga – Védica e Hermética – que afirma que “Assim como no microcosmo, também no macrocosmo”. Reunindo conhecimento atualizado como a descoberta recente do Bóson de Higgs, trazendo conhecimentos ancestrais como dos Vedas, do Budismo e da Kaballah, passando por insights de cientistas como Nikola Tesla (“estudou com Swami Vivekananda”, um conhecido yogue indiano) e do matemático Benoit Mandelbrot, além de citar de passagem Heráclito, Einstein, Goethe, Richard Feynman e Kierkegaard e buscando o cruzamento dessas fontes de conhecimento, “Mundos Internos Mundos Externos” também apresenta com riqueza visual os caminhos que a ciência e a sabedoria antiga percorrem para entender o universo, como os padrões de fractais (de Mandelbrot) e dos sons na matéria física como areia e água (de Chladni).

A primeira parte do documentário, que segue abaixo na íntegra e legendada em português (única parte legendada por enquanto), é chamada “Akasha“, uma palavra em sânscrito que pode ser traduzida como “éter” ou “espaço“, algo como um vácuo ou o “nada”, ou ainda, por aproximação, algo para o qual o Bóson de Higgs parece se aproximar. Mas, “como Einstein percebeu, o espaço vazio não é realmente vazio“. Com a voz prodigiosa da narração de Patrick Sweeney, essa parte do documentário traz cenas deslumbrantes como a sequência de fractais em movimento a partir do minuto 8:18 (um pouco antes há o buddhabrot) os efeitos da vibração e do som na água e na areia (Cimática), imagens do universo da Nasa e da Esa, animações com imagens de Buda e de laboratórios científicos, e também explora o conceito ocidental de Logos, o conceito védico de Nada Brahma, as possibilidades das descobertas da meditação e, no fim, encerra com uma citação budista sobre o Dharma.

O diretor Daniel Schmidt também é músico e professor de meditação, e diz que fez o documentário para sintetizar e divulgar o que estava começando a enxergar com a própria prática. “Conforme foi percebendo por insights meditativos, Daniel viu que as mesmas realizações já tinham sido descobertas por tradições espirituais ao redor do mundo e que todas as tradições compartilhavam um mesmo ponto místico em comum”, informa o site oficial do documentário.“Assim como acima, abaixo.” ~ Hermes Trismegistus, na Tábua de Esmeralda

Num comentário publicado no YouTube nesta segunda parte do documentário “Mundos Externos, Mundos Internos” (Outer Worlds Inner Worlds), um usuário afirma provocativamente que essa parte mostra “Coisas simples super-mistificadas“. O dono da conta oficial do filme no YouTube respondeu logo em seguida, espirituosamente: “Coisas misterioras, super-simplificadas 🙂“.

Esta segunda parte é intitulada “A Espiral” (32min, legendada em português abaixo) e trata dos possíveis significados da quase onipresença das espirais no universo, além de assuntos diretamente relacionados como Autosimilaridade, Proporção Áurea (Golden Ratio), a Sequência de Fibonacci, a Millenium Run, as biosferas geodésicas de Fuller, as escalas fractais, a ciência chinese de Li, os chakras, o Prana, Chi, Nadis, a Kundalini, a força energética do Hara no ser humano, o símbolo do yin-yang entre outros padrões e maravilhas matemáticas e energéticas da natureza macro e microscópica. E traz uma incansável série de exemplos da natureza e do universo que são feitos em espiral, como os caracóis, brócolis, pinhas, girassóis, cactos, flocos de neve, DNA, até microorganismos como as diatomáceas. De passagem, cita Platão, Pitágoras, Buckminster Fuller (espiral é “o formato mais eficiente que requer a menor quantidade de energia necessária”) e de novo Goethe, Einstein e William Blake.

“Um gafanhoto não tem outra opção a não ser agir como um gafanhoto. Jamais fará mel ou polinizará plantas como as abelhas fazem. O comportamento de um gafanhoto é rígido, mas um ser humano é único nesse sentido, podemos agir como uma abelha ou como um gafanhoto. Somos livres para mudar e manipular os padrões que interagimos com o mundo. Podemos viver em simbiose ou como um parasita.”

~ trecho de “A Espiral“, segunda parte do documentário “Mundos Externos, Mundos Internos”

Na maior parte do tempo, esta segunda parte talvez pareça um pouco menos espetacular que a primeira, embora tenha seu grau de assombro e maravilhamento. O desfecho, no entanto, guarda sua força e um especial fascínio, trazendo o poder último do Yoga, dameditação e das energias humanas em total equilíbrio com a vida.

Segue abaixo “A Espiral” (32min) legendada em português (para ativar, clica no controle de legenda – Captions – do próprio vídeo e escolha Portuguese (Brasil)). Se sua conexão de Internet for boa, é bastante recomendável alterar a resolução do vídeo (também no controle do player, na parte inferior) para 1080p HD.

“Tanto Cristo quanto Buda tiveram de livrar-se da tentação dos prazeres sensoriais e apegos mundanos. Em ambas as histórias, o demônio é a personificação de seus próprios apegos. Se lermos a história de Adão e Eva sob a luz das tradições védicas e egípcias, descobriremos que a serpente que protege a árvore da vida é a Kundalini. A maçã representa o encanto e a tentação do mundo sensorial externo, nos distraíndo do conhecimento do mundo interior, a árvore do conhecimento interior. A árvore é apenas a rede de Nadis ou os meridianos de energia dentro de nós mesmo, os quais formam, literalmente, estruturas em forma de árvore por todo nosso corpo. Em nossa busca egóica por gratificação externa, acabamos por nos segregar do conhecimento do mundo interior.”

~ trecho de “A Serpente e A Lótus“, terceiro capítulo de “Mundos Internos Mundos Externos”

Imerso em simbolismos, iconografias e nos significados das energias latentes do corpo humano que levam o homem ao pleno conhecimento de si mesmo, o terceiro capítulo do documentário “Mundos Interiores Mundo Exteriores” (Inner Worlds Outer Worlds), que viemos publicando aqui desde segunda-feira (veja a série: PARTE 1PARTE 2 e PARTE 4), sai um pouco do espaço sideral e mergulha na Kundalini e na Iluminação, fazendo um passeio histórico do Neolítico ao Eckhart Tolle, passando fortemente pelo Egito e pelaÍndia do Yoga. O título do capítulo é “A Serpente e A Lótus” e o vídeo segue abaixo na íntegra em HD legendado em português (26min).

O que o primeiro capítulo trazia de fascínio pela síntese do interno e do externo, este terceiro traz em forma de uma indscritível atração pela riqueza e revelações da viagem interior. O que se esconde no corpo humano, nisso que a sabedoria do Yoga aponta ser a Kundalini? O que realmente aparece no Ajna Chakra, ou na glândula Pineal e seu Sahasrara Chakra? O que pode estar tão perto e tão longe ao mesmo tempo, longe ao menos enquanto continuarmos vivendo obliterados de nós mesmos?

“Quando se olha muito tempo para um abismo, eventualmente descobrirá que o abismo olha para você de volta.”
Friedrich Nietzsche, citado em “A Serpente e A Lótus”, terceiro capítulo de “Mundos Internos Mundos Externos”

Segue abaixo “A Serpente e A Lótus” (26min) legendada em português (para ativar, clica no controle de legenda – Captions – do próprio vídeo e escolha Portuguese (Brasil)). Se sua conexão de Internet for boa, é bastante recomendável alterar a resolução do vídeo (também no controle do player, na parte inferior) para 1080p HD.

“Pensar é apenas uma ferramenta. Um dos seis sentidos. Mas o elevamos a um estado tão superior que nos identificamos por nossos pensamentos. O motivo de não identificarmos o pensamento como um dos seis sentidos é bem significativo. Estamos tão imersos em nossos pensamentos que tentar explicá-lo como um sentido é como comentar com um peixe sobre a água. Água, que água?”

~ trecho do capítulo final, “Além do Pensar“, do documentário “Mundos Interiores Mundos Exteriores”

O quarta e último capítulo do documentário “Mundos Interiores Mundo Exteriores” (Inner Worlds Outer Worlds, 2012), que viemos publicando aqui desde segunda-feira (veja a série: PARTE 1PARTE 2 e PARTE 3), é intitulado “Além do Pensar” e e faz exatamente isso: questiona o paradigma predominante do próprio pensar, ação-chefe da existência humana dos nossos tempos e método padrão para a percepção e compreensão mundo, que fez da mente e de suas limitações um dos obstáculos principais dessa própria existência. Para isso, esse capítulo tem que trazer assuntos como a neuroplasticidade, a percepção dos sentidos e se torna também um dos mais filosóficos, citando o Samsara e o despertar budistas, trazendo versos inteiros dos Upanixades indianos e terminando com uma visão construtiva de um possivel novo e simples paradigma (de um designer e engenheiro visionário), numa citação de Buckminster Fuller.

Para muitas pessoas, questionar o pensamento é inadmissível, é como questionar a inteligência. Ou como se isso fosse um pedido de abandono do raciocínio e do seu legado — de filosofia, de descobertas científicas e tecnológicas, etc. Mas não são coisas excludentes, talvez precisem apenas de uma perspectiva diferente e de uma nova relação entre si. “Uma mente calma é tudo o que você precisa para compreender a natureza do fluxo. Todo o resto acontece assim que sua mente aquietar“, afirma o documentário. Talvez não seja tão simples (talvez seja), mas embora corra esse risco de simplificar (e simplifica arriscadamente em algumas afirmações), o documentário chega a uma “ponto de tensão” interessante e necessário, que pede nossa consideração.

“E então, qual a alternativa ao pensamento? Que outro mecanismo os humanos podem usar para existirem nesse planeta? Enquanto a cultura ocidental nos últimos séculos focou-se na exploração do físico usando o pensamento e a análise, outras culturas antigas desenvolveram tecnologias igualmente sofisticadas para explorarem o espaço interior.”

~ trecho do capítulo final, “Além do Pensar“, do documentário “Mundos Interiores Mundos Exteriores”

Segue abaixo “Além do Pensar” (31min) legendado em português (para ativar, clica no controle de legenda – Captions – do próprio vídeo e escolha Portuguese (Brasil)). Se sua conexão de Internet for boa, é bastante recomendável alterar a resolução do vídeo (também no controle do player, na parte inferior) para 1080p HD.

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