Uma das mais surpreendentes descobertas de astrônomos iniciantes é que a imagem do telescópio se mostra de cima para baixo ou invertida, dependendo do tipo do telescópio. A primeira coisa que quase todos pensam é que o telescópio está com defeito – quando de fato tudo funciona em perfeita ordem. Dependendo do tipo de seu telescópio, a imagem irá parecer correta, de cabeça para baixo, rotacionada ou invertida da esquerda para a direita.

Mas porquê? Para observação astronômica, não é relevante mostrar a imagem com a orientação correta, pois no espaço não há para cima e para baixo. Além do mais, os objetos celestes não são coisas que se vê todo dia e você não sabe na prática se estão de ponta cabeça ou não. Mas quando você aponta seu telescópio para uma árvore, uma pessoa ou construção, é importante que a imagem tenha orientação corrigida.

Qual a causa? a resposta é simples: como seu telescópio funciona.

Como funciona o telescópio

Caminho óptico da luz em um telescópio refratorCaminho óptico da luz em um telescópio refrator

A função principal do telescópio é coletar uma grande quantidade de raios luminosos paralelos que entram no tubo, condensá-los e refocá-los para enviar ao olho humano um feixe paralelo de raios luminosos menor e mais brilhante . Este feixe é convergido pelas lentes do olho humano para um ponto na retina, assim como acontece ao olhar a olho nu uma estrela, porém a imagem é consideravelmente mais luminosa. Obviamente, quanto maior o diâmetro da objetiva, mais brilhante será a imagem formada no olho humano. E obviamente, quanto maior o diâmetro, maior a magnitude limite.

Embora a função principal do telescópio seja captar luz, é uma outra função importante deste fornecer uma imagem ampliada e bem definida. Para entender como a ampliação funciona, imagine que uma estrela é adicionada ao campo de visão. Se as estrelas estão próximas, os dois feixes luminosos chegarão ao observador em ângulos levemente diferentes; Suas imagens se formarão em pontos diferentes da retina e o cérebro interpreta dois pontos luminosos diferentes.

Caminho óptico da luz em um telescópio catadióptricoCaminho óptico da luz em um telescópio catadióptrico

No telescópio refrator ou catadióptrico, a lente objetiva ou o espelho primário também forma uma imagem na frente da lente ocular em um ponto chamado de plano focal. As oculares são, na realidade, lentes ampliadoras que o observador utiliza para observar a imagem formada no plano focal. Os dois feixes luminosos, um de cada estrela, saem da ocular com uma separação angular maior do que quando entram no tubo do telescópio; assim, suas imagens correspondentes estarão mais distantes na retina, e o cérebro as interpreta como imagens mais distintas e mais separadas do que sem o telescópio. Quanto mais longa for a distância focal da lente objetiva, mais distantes estarão as estrelas no plano focal, e consequentemente, para a mesma ocular, mais ampliada será a imagem do plano focal. Quando menor for a distância focal da ocular, maior será a ampliação do plano focal; Estas duas propriedades determinam a ampliação total do sistema (Ampliação Total = Distância Focal da Objetiva / Distância Focal da Ocular).

Caminho óptico da luz em um telescópio refletor newtonianoCaminho óptico da luz em um telescópio refletor newtoniano

No telescópio refletor, a luz é coletada e condensada no espelho primário e enviada de volta para a boca do tubo ao invés de passar por ele a caminho da ocular, como no refrator. A luz condensada reflete em um espelho diagonal para a lateral do tubo, onde se encontra a ocular. No mais, a óptica refletora nada mais faz do que o mesmo trabalho de uma óptica refratora ou catadióptrica: formar uma imagem na frente da ocular, para a ocular ampliar e enviar ao olho humano.

A imagem do plano focal

Espelho esférico côncavo formando uma imagem realEspelho esférico côncavo formando uma imagem real

Conforme visto, todos os telescópios formam imagens no plano focal, para ser observada pela ocular, responsável pela ampliação aplicada ao objeto. Mas esta imagem é uma imagem real ou virtual? Em óptica geométrica, diz-se que uma imagem é real quando ela se forma através da continuação dos raios luminosos emanados pelo objeto, passando através do elemento óptico em questão. Uma imagem é virtual quando ela se forma através de uma projeção fictícia dos raios luminosos sobre o elemento óptico. Uma imagem real é invertida. Uma imagem virtual tem orientação corrigida.

Lente convexa formando imagem realLente convexa formando imagem real

Telescópios refratores utilizam lentes convergentes em sua fabricação. Uma lente convergente fornece imagens reais para objetos que estão além de sua distância focal. Como as estrelas teoricamente estão no infinito, o sistema de lentes convergentes do telescópio refrator forma, no plano focal, uma imagem real. Telescópios catadióptricos e refletores também formam imagens reais no plano focal pelo mesmo motivo. Portanto, as imagens do plano focal são imagens reais e naturalmente invertidas.

O que posso fazer para corrigir a orientação da imagem?

Lente EretoraLente Eretora

Telescópios refratores e catadióptricos produzirão imagens invertidas se usados sem diagonal nenhuma. Quando a diagonal de 90 graus (diagonal estelar) é usada a imagem aparecerá desinvertida no sentido vertical, mas o sentido horizontal permanecerá invertido. Para total correção de orientação da imagem, o uso de uma diagonal de 45 graus ou diagonal terrestre é recomendado. Telescópios catadióptricos e refratores são recomendados para uso terrestre, com uma diagonal de 45 graus.

Diagonal de 45 grausDiagonal de 45 graus

Para telescópios newtonianos existe um tipo de lente especial, a lente eretora, que faz o mesmo serviço da diagonal de 45 graus para os refratores. Mas o espelho secundário, por sua vez, rebate a imagem, sendo impossível rebatê-la novamente com o simples uso de uma lente, não sendo recomendado para uso terrestre.

http://www.armazemdotelescopio.com.br/loja/index.php/artigos-astronomia/iniciantes/236-por-que-meu-telescopio-buscadora-tem-imagem-invertida

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