EVIDÊNCIAS TOMOGRÁFICAS SOBRE AUTOLIGADOS
Tenho ouvido muito falar sobre “evidências tomográficas” para provar que braquetes autoligados promovem expansão da base óssea. Recentemente, assisti a uma destas conferências dadas em stand de fabricante com um professor que tentou provar esta tese.
Longe de mim querer ser o dono da verdade, mas até eu que sou apenas um ortodontista pude perceber um monte de inverdades. A primeira delas é dizer que o aumento do arco é prerrogativa de braquetes autoligados. Quando existe apinhamento e não se faz extrações, qualquer braquete promove aumento, como podemos ver na primeira figura 1, com braquetes comuns.
O certo é tratar sem extrações APENAS os casos de Classe I, com apinhamento com labioversão dos incisivos, onde o aumento do arco é favorável. Um paciente com labioversão e/ou muita discrepância deve ser tratado com exos, independentemente do braquete.
A segunda falha é o uso descalibrado da tomografia. Aproveitando que a maioria dos ortodontistas não é acostumado com o processo, até mesmo um dos mais famosos inventores de autoligados já usou este artifício para “aumentar o arco”. Numa tomografia, basta fazer dois cortes em alturas diferentes da maxila para ter a impressão de que um deles é maior.
Na figura 2 está um paciente em que eu cortei apenas 3 mm abaixo do primeiro corte, e a imagem axial “finge” que ocorreu expansão. Agora vejam na figura 3 uma figura do livro do famoso inventor (acima) e a que eu “simulei” expansão, abaixo… Podem ver que no livro do famoso professor, na primeira imagem aparece o seio maxilar (bem alta) e na segunda somente o processo alveolar, que é “mais largo”, do mesmo jeito que eu “fajutei” a imagem que mostra expansão.
Bem, existe um modo de calibrar as imagens para ter sempre o mesmo corte, e os três pesquisadores que usaram este método provaram que autoligados, como convencionais, apenas inclinam as coroas para vestibular, não é expansão verdadeira. O quadro seguinte mostra alguns trabalhos interessantes sobre autoligados “in vivo” inclusive os que usaram tomografias calibradas.
Como falei no começo, o palestrante que eu ouvi num stand não ficou nada satisfeito com minhas perguntas, mas acho que eu saí como o vilão da história para os organizadores. Não devia ser assim, existe um ditado da filosofia budista que diz : “Corrige o sábio e ela sairá mais sábio, corrige o ignorante e ele ficará raivoso”. Agora estou meio “banido” dos congressos…
Nelson José Rossi www.sboomortodontia.com.br

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