Geralmente, imaginamos que sentimos apego somente ao que nos é agradável, mas em realidade a aversão nos prende tanto quanto o desejo. Algumas vezes é mais difícil livrar-nos das impressões desagradáveis do que das agradáveis. Existem certos desprezos, palavras rudes, atos indignos, que deixaram um gosto ruim em nossa memória e que gostaríamos de esquecê-los; contudo, sentimo-nos impotentes para fazê-lo, pois nossa mente teimosamente se agarra a eles. Frequentemente, também, reconhecemos que algo é prejudicial ao nosso progresso, mas somos incapazes de afastá-lo de nossos pensamentos.

Outro erro que cometemos é o de supor que não pode haver amor sem um forte apego. Na verdade, entretanto, eles são totalmente diferentes e produzem efeitos contrários em nosso caráter. O apego contrai, enquanto o amor expande. O apego traz para fora todos os instintos egoístas. Somos apegados por causa da gratificação que isso nos traz, com apenas uma leve consideração pela felicidade e bem-estar daqueles a quem somos apegados. O amor, por outro lado, faz-nos completamente esquecidos de nosso interesse próprio, e preocupados somente com o bem-estar do amado. Ele dá perfeita liberdade, enquanto o apego cria aprisionamento tanto para nós mesmos quanto para àquele a quem nos apegamos. O amor dá apenas pela alegria de dar, sem buscar nada em retorno.

– Swami Paramananda

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