A maioria das pessoas tem aquela tendência de criticar e julgar os outros. A fofoca é um tipo de sabor – como dizemos na Índia, uma massala na comida. Isso pode parecer muito inocente; ainda assim, causa grande dano à sociedade, e particularmente àqueles que a praticam. Ninguém pode ver uma falta em outra pessoa, a menos que tenha aquela falta em si mesmo. De fato, na maioria das vezes, essa falta que vemos existe apenas em nossa imaginação impura. Quantos de nós podem realmente olhar nas profundezas do ser humano, e ver todos os motivos que o impulsionam a agir de determinada maneira? E, mesmo assim, estamos prontos para julgar e imputar motivos – os motivos que nós mesmos teríamos se estivéssemos em circunstâncias similares. E esses motivos que criamos são sempre maus, pois dá alimento e sabor para as fofocas. Invariavelmente, você verá que, se criticar alguém por uma determinada falta, e continuar criticando, aquela falta crescerá em você. Nós saboreamos ver faltas nos outros pois isso aumenta o sentimento de ego. Por trás de todo esse criticismo há sempre o mesmo sentimento: “Eu não tenho essa falta. Eu sou melhor do que ele.”
Na Índia, temos um dito: “A mosca senta-se nas fezes, assim como no mel; mas a abelha senta-se apenas no mel e evita as fezes.” Então, o primeiro voto que o aspirante espiritual deve fazer é: “Que eu siga o exemplo da abelha, e não da mosca!” À medida que progredimos na vida espiritual, aprendemos a ver o bem em todos. Os homens realmente santos têm essa atitude para com a humanidade: se você tem uma gota de bondade em seu interior, eles veem um oceano de bondade dentro daquela gota. Não porque eles são tolos otimistas, mas porque veem a possibilidade de crescimento futuro, e enfatizam isso. O ideal supremo é ver Deus em todos os seres. Devemos aprender a ver Deus olhando por trás das máscaras da aparente perversidade e inutilidade.

– Swami Prabhavananda

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